O PROCESSO SUCESSÓRIO

O processo sucessório de uma empresa familiar ou de controle familiar acontece em três ambientes, são eles, na propriedade (sucessão das participações societárias/controle), na empresa (sucessão da gestão) e na família (sucessão da liderança familiar).

É importante que o fundador do negócio deseje e esteja à frente do processo de sucessão, afinal ele conhece toda a atividade operacional da empresa e, com sua participação, a transição será mais suave. Por isso, a importância de haver uma preparação antecipada para minimizar os impactos de uma possível ruptura abrupta por ocasião da morte ou incapacidade do fundador.

O processo de sucessão tem um componente emocional forte. A transição traz desconforto para todos os envolvidos, o sucedido terá que enfrentar a sensação de perda do controle do seu negócio e o sucessor terá a sua competência testada para dar continuidade ao negócio.

Para um planejamento sucessório bem sucedido, o  processo inicia-se na preparação dos membros familiares ainda na infância, estimulando as crianças a frequentar o ambiente de trabalho dos familiares, aprender a história da família e do negócio, cultivando desde pequenos o senso de pertencimento, compreendendo  os valores e princípios daquela família e quando maiores, ter experiências em pequenos trabalhos e, principalmente, preparando a carreira acadêmica deles para que se tornem futuros profissionais, e candidatos a sucessor. Desde cedo, o fundador do negócio deve identificar, dentre os membros familiares, quem tem perfil, interesse e qualificação adequados para ocupar a função de sucessor.

Da mesma forma que se pensa na construção da carreira do futuro sucessor, deve-se planejar a ocupação futura do sucedido, garantindo sua segurança financeira e psicológica.

Na falta de um sucessor familiar, pode-se buscar um gestor não familiar ou até mesmo ponderar a venda do negócio. No caso de contratação de um gestor profissional não familiar, é importante que os herdeiros das participações societárias entendam minimamente do negócio e de seus direitos e obrigações como sócios, para que se portem de maneira a contribuir positivamente com o desenvolvimento e longevidade do negócio.

O direito pode ajudar bastante, por meio de instrumentos jurídicos de estruturas de governança corporativa, para regrar a convivência harmônica da família em torno do negócio. Instrumentos como protocolo de família, acordo de sócios, instalação de conselho de família e conselho de administração, contribuem muito na trajetória de famílias empresárias no propósito de desenvolver e perpetuar o legado dos ascendentes.

 

 

 

Escrito por:

Adele Fonteles

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